Franquia do carro alugado no Algarve: o que está mesmo coberto
Atualizado 1 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
A pergunta que mais tempo consome ao balcão é quase sempre feita tarde demais: o que está realmente coberto? Resolver isso antes poupa mais do que dinheiro — poupa os vinte minutos de venda enquanto a fila cresce atrás de si.
“Todos os riscos” não é todos os riscos
No contrato aparece normalmente CDW, Collision Damage Waiver. Soa a cobertura total e não é. É uma renúncia com teto: até certo montante, o dano é pago por si. Esse montante é a franquia e, consoante a categoria do carro, situa-se habitualmente nas centenas ou mesmo acima dos mil euros.
O segundo ponto surpreende mais do que o primeiro: a cobertura base não abrange o carro todo. Pneus, vidros, parte inferior e faróis ficam normalmente de fora, e muitas vezes também o tejadilho, o interior e a perda de chaves. São exatamente as peças que sofrem no Algarve: caminhos estreitos até às praias, lancis nas ruelas antigas, gravilha no Cabo de São Vicente.
Uma pedrada no para-brisas pode assim custar-lhe o valor total, mesmo tendo reservado “todos os riscos”.
A caução é dinheiro a sério
No levantamento é bloqueado um valor no cartão de crédito, calculado sobre a franquia e a categoria. Várias centenas até bem mais de mil euros é o normal. O dinheiro não desaparece, mas fica indisponível até à devolução — e com um plafond apertado isso é um problema real em férias.
Três pontos que correm mal vezes sem conta:
O cartão tem de estar em nome do condutor principal. Não do cônjuge, não da empresa. O nome no cartão e na carta têm de coincidir.
Um cartão de débito não é um cartão de crédito. Algumas empresas não o aceitam; outras só com uma caução bastante maior e condições adicionais. Se só tem débito, resolva isso antes de reservar, não ao balcão.
A libertação demora. Uma a três semanas após a devolução até o bloqueio desaparecer é habitual.
Três formas de eliminar a franquia
Comprá-la ao balcão. A empresa oferece uma extensão, normalmente chamada Super CDW ou Full Protection. Vantagem: se acontecer alguma coisa, não lhe acontece nada — sem adiantar dinheiro, sem papelada. Desvantagem: é de longe o caminho mais caro e, numa semana, pode quase duplicar o aluguer.
Um seguro de franquia próprio. Bastante mais barato, contratado antes da viagem. O senão: paga primeiro o dano e recupera depois. A caução é bloqueada na mesma e, num sinistro real, é cobrada. Quem não possa dispensar esse dinheiro durante semanas não tem aqui solução.
Através do cartão de crédito. Alguns cartões incluem cobertura de aluguer. Leia com atenção antes: vários excluem determinados países, muitos exigem que recuse expressamente a cobertura da empresa e quase todos limitam a duração. Confiar nisso sem ter lido corre mal com regularidade.
O que compensa e quando
Num carro pequeno por três dias, a extensão ao balcão não tem proporção. Em duas semanas com crianças, vários condutores e muita estrada secundária, a conta muda — aí a tranquilidade talvez valha o acréscimo.
O meio-termo honesto para a maioria: apólice própria antes de viajar, desde que o cartão de crédito tenha margem para a caução. Se não tiver, mais vale a extensão ao balcão do que passar férias sem meio de pagamento.
Cinco minutos na entrega
Antes de arrancar, uma volta ao carro a filmar. Não fotografar — filmar, devagar, com luz do dia. Jantes, para-brisas, parte de baixo dos para-choques, tejadilho, indicador de combustível, conta-quilómetros. O mesmo na devolução. É a única precaução que não custa nada e que decide em caso de discussão.
E faça constar cada dano existente no auto de entrega, incluindo o risco minúsculo. O que não estiver lá era seu no momento da devolução.
Comparar antes de reservar
As condições variam mais entre empresas do que os preços. Ao comparar carros de aluguer para o Algarve, não olhe só para o preço diário, mas para três linhas das condições: valor da franquia, meios de pagamento aceites e política de combustível.
Comparar preços de aluguer para o Algarve
Se é preciso carro no Algarve é outra questão — para Portimão em si, mais provavelmente não; para o resto, sim. Mais em É preciso carro no Algarve?. Com crianças, as regras das cadeiras estão em Carro alugado com cadeira de criança, e para atravessar a fronteira, em De carro alugado para Espanha.
E se no fim se perceber que só queria ver as grutas: para isso não é preciso carro, mas barco. As partidas são do porto de Portimão, a dez minutos a pé da Praia da Rocha.
Atualizado em setembro de 2026. As condições de seguro mudam; vinculativo é sempre o contrato que assina.